Diferenças entre safira, cristal mineral, sapphlex, acrílico e hardlex!

O material transparente que recobre a face do relógio, comumente chamado de cristal ou vidro, tem sido fabricado a partir de diversas matérias primas ao longo da história e as dúvidas quanto às vantagens e desvantagens de cada uma são recorrentes entre os apreciadores de relógios. Hoje abordarei esse tema no intuito de esclarecer e desmistificar alguns boatos. Vejamos os principais tipos.

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Acrílico: o cristal de acrílico é, sem dúvida, um dos materiais mais antigos utilizados para recobrir o mostrador dos relógios, sendo também, por definição, nada mais que uma película de plástico. O acrílico tem como principal ponto em seu desfavor a facilidade de arranhar. Um esbarrão que seria insignificante para o mais modesto cristal de vidro pode significar um extenso dano na superfície do acrílico. Outros pontos negativos são a menor transparência e o fato de adquirir tons “amarelados” conforme se expõe prolongadamente ao sol. Saliento que existem acrílicos de níveis distintos de qualidade, sendo os superiores bastante resistentes ao amarelamento.

Por outro lado, esse material é facilmente polido, costuma voltar praticamente ao estado de novo caso os arranhões não sejam profundos e retomar sua transparência original. Outra grande vantagem é que o acrílico se mostra bem resistente a rachaduras e a estilhaços após sofrer um impacto mais contundente. Este é o motivo pelo qual ainda hoje é bastante utilizado em relógios infantis e em computadores de mergulho, pois sob a forte pressão da água ele comumente se deforma após um impacto, mas dificilmente se parte, evitando o acesso da água ao equipamento.

Relógio Reguladora português, anos 60, cristal em vidro. Foto: Gelson Filgueiras.

Vidro: fabricado desde o Egito antigo a partir de uma mistura de silícios (areia) e carbonatos, por meio da fusão a altas temperaturas, o vidro é uma substância quebradiça e de baixa resistência a riscos. Normalmente não é utilizado em relógios de pulso por conta de sua fragilidade, já nos modelos de parede costuma ser a regra, embora alguns também utilizem acrílico.

Cristal Mineral: esse tipo de cristal equipa a grande maioria dos relógios fabricados no mundo e é obtido a partir do vidro comum que passa por um tratamento químico ou de calor, no intuito de aumentar a sua rigidez. As principais vantagens são a maior resistência a riscos e o preço mais acessível em relação aos próximos cristais. Ele é fabricado em diversos formatos e espessuras, variando bastante nos quesitos resistência a impacto e valor final.

Seiko 5 Sports Atlas Landshark SKZ211, cristal Hardlex. Foto: @SeikoPhD.

Seiko Hardlex: esse cristal foi desenvolvido pela Seiko e se trata de um tipo de cristal mineral endurecido, mais resistente a riscos, mas ainda resguardando certa maleabilidade, o que lhe assegura mais resistência a choques e o impede de estilhaçar após sofrer um impacto. Normalmente o Hardlex apenas trinca e não chega a expor o mostrador do relógio.

Na escala de rigidez o Hardlex alcança 7 Mohs, não muito distante da Safira (9 Mohs), contudo não é tão quebradiço e possui maior resistência a impactos. Importante destacar que existem tipos distintos de Hardlex sendo utilizados pela Seiko, sendo os mais resistentes aplicados aos relógios de mergulho e outros mais finos embarcam relógios de entrada, como os Seiko 5.

Seiko Presage SPB093J1, cristal em safira curvada e revestimento antirreflexo. Foto: divulgação Seiko.

Safira: o Cristal de Safira utilizado em relógios normalmente é sintético, criado em grandes blocos que posteriormente são cortados e polidos no formato desejado. Sua rigidez (9 Mohs) só perde para o diamante (10 Mohs), logo, é extremamente resistente a riscos e possui a melhor translucidez dentre todos os cristais desta lista. Ele possui grande valor agregado e geralmente equipa relógios mais caros da maioria das fabricantes, inclusive Seiko e Grand Seiko.

Por ser tão rígida a safira também é quebradiça (assim como o diamante) e normalmente estilhaça após sofrer um forte impacto, o que seria um grave problema no caso de um mergulho, por exemplo. Entretanto, um pouco de cuidado com o pulso faz parte de quem gosta de relógios e essa questão não é tão relevante para a maioria dos usuários imersos em seus escritórios.

Seiko 7N36-6A40 de 1983 e cristal Sapphlex. Foto: youtu.be/randomrob

Seiko Sapphlex: O Cristal Sapphlex também foi desenvolvido pela Seiko e a grosso modo é o cristal Hardlex que recebe uma lâmina de safira em sua face externa, unindo a resistência a impactos do Hardlex com a resistência a riscos da Safira. O melhor dos dois mundos!

Esse cristal foi utilizado em diversos relógios de mergulho dos anos 80 e 90, no entanto, ao que parece, a fabricação do Sapphlex se tornou menos atraente por conta do barateamento da produção da safira, que possui um apelo comercial muito maior. Fato é que o Sapphlex não surge há um bom tempo entre os relógios Seiko e parece ter sido abandonado por sua criadora, embora ainda haja algumas empresas do ramo da relojoaria, o utilizando.

Seiko Kinetic Sports 5M43-0A40 de 1993 e cristal Sapphlex. Foto: ebay.co.uk

Uma última observação a respeito da atual inclinação do mercado para a safira, se faz necessária. Como vimos, todos esses cristais têm seus prós e contras, porém a safira tem sido empregada mais diretamente na média e alta relojoaria, qual seria a razão disso? Estudiosos têm apontado a apelação comercial por trás do termo “safira” como sendo o principal motivo, assim como acontece com os “rubis” ou “jóias” utilizadas, especialmente, nos relógios mecânicos.

Observe que, tanto essa safira quanto os tais rubis, não possuem valor para a joalheira, eles são sintéticos, não são verdadeiramente joias, mas os nomes “vendem bem” e agregam valor aos relógios, especialmente quando o público desconhece os pormenores de cada um. Deixo aqui o alerta para que você, amigo (a) leitor (a), fique atento (a) e não se empolgue à primeira vista quando ler “sapphire crystal” ou “50 jewels”, pois nem sempre esses rubis exercem função prática no movimento e esse cristal de safira será, geralmente, hiperinflacionado para te custar dez vezes seu valor real.

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12 comentários em “Diferenças entre safira, cristal mineral, sapphlex, acrílico e hardlex!

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    1. Tudo bom Vítor?
      Fico feliz que tenha gostado do artigo. Quanto à sua pergunta eu diria que depende do objetivo. Se a intenção for apenas não arranhar o cristal, o que seria justo por si só, tanto faz um ou outro, já que a superfície de contato é a mesma, ou seja, a safira. A bem da verdade o hardlex resolveria o seu problema na esmagadora maioria dos casos, contudo se a sua intenção for utilizar o relógio como uma ferramenta de ação/mergulho o sapphlex é a melhor opção pela resistência a impactos e estilhaçamentos. O difícil é encontrar um sapphlex hoje, e caso encontre sempre desconfiará se o cristal foi substituído. Boa sorte e espero ter ajudado.

  1. Sensacional o artigo, estava curioso sobre o hardlex por causa do Seiko Pressage e estava olhando um victorinox alliance que tem o safira, safira é bem mais seguro numa questão de ranhões profundos e tudo mais, mas realmente tem relógios que exageram no preço por conta disso. ótimo artigo.

  2. Gostei muito desse artigo,pois tenho relógios de várias marcas e não sabia da resistência,dureza e impactos dos vidros dos nossos relógios. Parabéns!

  3. Excelente artigo, Ramon! Apesar de todo o cuidado, vez por outra na pressa, esbarro o braço numa porta/ parede. Para o meu caso o cristal de safira é o mais indicado. Me policio mais quando utilizo um relógio mecânico eheh.

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