Seiko cal. 6619! – Calibres #4

A série Calibres traz detalhes a respeito dos principais movimentos fabricados pela Seiko, sejam eles a quartzo, mecânico, cinético, solar, dentre outros.

Hoje trataremos do resistente calibre 6619, conforme solicitado pelo nosso amigo leitor Thiago nos comentários do artigo Calibres: Seiko cal. 6217, no dia 17 de setembro de 2018.

Seiko Sportsmatic 6619-8110 “Dolphin” de 1966. Foto: catawiki.com

O calibre 6619 começou a ser fabricado em 1964 e se tratava de um integrante da série de movimentos Seiko 6600 produzida a partir de 1961. Os calibres dessa série vieram com 17, 19 ou 21 rubis, sendo o 6619 equipado com a maior quantidade e lançado em um ano muito especial para o Japão, no ano em que Tóquio sediou os Jogos Olímpicos de Verão.

Ele foi lançado oficialmente como 6619A, embora nunca tenha havido um modelo B posteriormente. A máquia era extremamente simples, mas incrivelmente robusta e adotava um sofisticado sistema de enrolamento automático, o Seiko Magic Lever que é usado até hoje por diversas empresas – falarei mais em breve. Sua engenharia garante o perfeito funcionamento por décadas, gerando relatos de uso superior a 30 anos sem qualquer manutenção e desgaste das peças.

Máquina Seiko 6619A. Foto: urdelar.se

Um fato curioso sobre o 6619A é que, apesar de vir equipado com 21 rubis, apenas 18 deles são realmente funcionais no sistema. Três rubis estão alojados abaixo do indicador do dia da semana sem qualquer finalidade, o que definitivamente não é comum entre as máquinas Seiko.

Há duas teorias que tentam explicar esse fato, uma otimista e a outra mais pessimista. A otimista acredita que o design dessa máquina foi preparado para receber um aprimoramento em curto espaço de tempo (um possível calibre 6619B) com um possível uso para esses três rubis “cegos”, todavia, a meu ver, essa teoria não se sustenta por encarecer o produto final sem uma razão lógica. Poderiam manter os furos no projeto inicial, e não aplicar os rubis.

Seiko 6619-8060 “MACV-SOG” usado na Guerra do Vietnã, leia mais aqui. Foto: pinterest.com/cody2267

Já a pessimista afirma que tudo não passou de uma incomum jogada de marketing da Seiko, já que um calibre de 18 rubis não representaria uma grande evolução em comparação a alguns anteriores de 17 rubis, então colocaram mais três e venderam com o calibre de 21 rubis! Fato é que virou história e estória no vasto universo da Seiko.

Outra incógnita aqui se dá pelo fato de não haver uma data oficial para o fim da fabricação desse calibre, o que encontrei foram apenas especulações que apontam para os três primeiros anos da década de 70, ao menos em 1971 eu posso afirmar que houve produção do 6619A, então não vou precisar uma data final.

Seiko 6619-7050 Weekdater de 1968. Foto: cdn.shopify.com

A última curiosidade fica por conta do calibre 6619A ser basicamente idêntico à máquina Seiko 410 lançada um ano antes. Teria a Seiko “reeditado” o movimento anterior para aumentar o número de lançamentos e sua visibilidade no ano dos Jogos Olímpicos de Tóquio? Já mencionei a importância para a Seiko dos Jogos Olímpicos de 1964 no artigo que conta a história dos relógios Seiko 5. Somando esta teoria à teoria dos três rubis excedentes e ao aparente incomum momento do marketing da Seiko, eu diria que é mais que possível, é provável.

Dados Seiko cal. 6619A:

Tipo: Automático in-house;
Início da fabricação:
1964;
Fim da fabricação: início dos anos 70;
Quantidade de rubis: 21 jewels;
Batidas por hora: 18.000 bph;
Principal expoente: relógios da série Sportsmatic “Dolphin”, especialmente com a gravação do golfinho bem visível no fundo do relógio, além do Seiko 6619-8060 “MACV-SOG”;
Reserva de energia: 38 horas;
Funções: horas, minutos e segundos centrais; calendário dia/data sem câmbio rápido para o dia e com troca da data ao pressionar a coroa;
Observações: trata-se de um calibre muito simples, extremamente resistente, duradouro, de baixíssima e fácil manutenção.

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14 comentários em “Seiko cal. 6619! – Calibres #4

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    1. Possuo um Seiko Sportsmatic 5, todo em ouro 18 (pulseira e caixa) 21 rubis, calibre 6619-8010TAD e gostaria de saber mais sobre ele…ano de fabricação, o significado do nº5 etc.
      Pode responder no email. Obrigado, agradeço a atenção.

      1. Boa tarde Theo! Tudo bem?
        O que está gravado na tampa traseira do seu relógio? Envie exatamente como está aí. Abraço!

  1. Excelente artigo Ramon, fiquei muito feliz de ver alguém com seu conhecimento descrever tecnicamente sobre este calibre tão pouco mencionado. Obrigado por ter atendido a minha humilde solicitação!

    E aproveito a oportunidade para explorar mais seu conhecimento, quando possível nos fale do Calibre 6106!

    Mais uma vez muito obrigado!

    1. Olá Thiago!
      Foi um prazer atender à sua solicitação, a Seiko equipou lindíssimos relógios com esse calibre. Obrigado pelo retorno, 6106 adicionado à fila. Forte abraço!

  2. Esqueci de mencionar meus dois Sportsmatic usam o calibre 6619A, um é de 1967 o outro 1968. Dois cinquentões muito bem dispostos e cheios de vigor! rsrs

  3. Tenho um que pertenceu ao meu avô. Funciona perfeitamente e somente a pulseira não é original. Detalhe: nunca foi para a manutenção. Queria precisar a fabricação, mas vi que é difícil.

    1. Olá Fausto!
      Mande aqui nos comentários o número de série do seu relógio que provavelmente será possível precisar a data de fabricação, é um conjunto formado por seis dígitos sequenciais.
      Abraço e parabéns pelo relógio!

  4. Oi Ramon! Estava lendo sua resposta no artigo das 5 falhas da Seiko e fui remetido a esse tópico!
    Realmente é curiosa essa questão dos 3 rubis sobressalentes!
    Respondendo a sua pergunta no final da matéria, eu gostaria de ler um artigo seu sobre os calibres quartz da Seiko, afinal foi ela que o inventou. Especialmente, os calibres 6458, 7548 e 7c43. Já ouvi relatos de especialistas que um calibre quartz não é para a vida toda, tendo uma vida estimada de 30 a 40 anos, mas tenho um 7548 de 1981 e um 7c43 de 1988 que estão em pleno funcionamento.
    Porém eu fico com receio do calibre parar de funcionar a qualquer momento, o que me faz pensar se realmente é para a vida toda ou não.
    Outra dúvida que tenho é se o calibre dos atuais Marine Master Tuna (7c46) é o mesmo calibre, ou ao menos a mesma base, do calibre 7C43 da década de 1980, o que reforçaria o fato que são ótimos calibres de fato.
    Parabéns por mais um artigo Ramon!
    Um grande abraço!

    1. Olá Hector!
      Pode deixar meu amigo, a intenção é vez ou outra abordar sim os calibres a quartzo, acabo falando mais dos mecânicos por serem o alvo da maioria dos colecionadores, mas existem movimento incríveis a quartzo e vamos falar deles, você citou alguns sensacionais acima.
      Obrigado e um forte abraço!

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