Guia: Como ler referências e códigos dos relógios Seiko

Quando iniciamos no universo do colecionismo de relógios percebemos que alguns carregam apelidos extremamente conhecidos como, por exemplo, o Seiko “Samurai”, todavia existem vários modelos de Seiko Samurai e esses apelidos dados pela comunidade de colecionadores geralmente não são adotados pela Seiko. Visando a individualização de cada peça a empresa utiliza uma referência e também um código para individualizar os relógios.

Anteriormente já citei a questão da referência no Guia: Como ler os dados no fundo dos relógios Seiko, mas lá aprofundei em outros assuntos que não são nosso foco hoje.

Seiko 7S26-0020 SKX007J1. Foto: shop-online.watch

Pegarei como exemplo o emblemático Seiko Automatic Scuba Diver’s 7S26-0020, especificamente o SKX007, um dos modelos mais vendidos globalmente pela Seiko.

No caso acima a referência é 7S26-0020, onde os quatro primeiros dígitos representam o calibre 7S26 deste relógio automático, ou seja, a máquina do relógio, o que faz com que ele funcione. Já o 0020 representa o design da caixa do relógio, ou seja, aquele tamanho, acabamento e formato são definidos aqui.

Seiko Prospex “Samurai” 4R36-01V0 SRPB53J1. Foto: arquivo @SeikoPhD.

A questão é que podem existir outros relógios com essa mesma especificação de máquina e caixa, mas com uma cor diferente de mostrador, algo parecido com o que acontece com carros, onde fabricam o mesmo motor e carroceria com uma infinidade de cores e acabamentos.

Então, para falarmos de um relógio específico (calibre, caixa e acabamento, por assim dizer) existe o código Seiko, como SKX007 que usamos neste exemplo. Geralmente a Seiko emprega três ou quatro letras seguidas de dois ou três números.

Seiko 7S26-0020 SKX007K1. Foto: lelong.my

Sabemos que o confiável Seiko 7S26-0020 (abordamos a robustez do calibre neste artigo) pode vir com mostrador preto e bezel preto (SKX007), mas também pode ter mostrador azul e bezel azul e vermelho (SKX009), além de outras configurações.

Importante destacar que esses códigos que encontramos por aí normalmente estão simplificados, o código completo seria SKX007J1 ou SKX007K1 (em outros modelos de relógios também se tem outras letras como P1), onde as letras J, K e P representam o país onde o relógio foi montado, sendo J um Made in Japan (MIJ) e as letras K e P seriam Singapura, Filipinas, Tailândia ou Malásia, especialmente – há quem acrescente outros países asiáticos à lista.

Seiko “Monster” 7S26-0350 SKX781K1. Foto: arquivo @SeikoPhD.

Neste ponto é importante destacar que os relógios MIJ normalmente trazem detalhes que as outras versões não têm, de maneira geral o mostrador e fundo estampam “Made in Japan”, ademais, no caso da série SKX, o mostrador ainda expõe a quantidade de rubis usados no calibre com a frase “21 Jewels”.

É habitual o relógio J custar de 10% a 20% a mais que um modelo K ou P, ele é mais procurado pelos colecionadores por ser menos comum e também agrega valor de revenda, entretanto, principalmente quando falamos de relógios de entrada ou intermediários, não significa necessariamente que são melhores que as versões K e P ou que foram de fato montados no Japão. Um relógio montado no Japão seria verdadeiramente caro, então apenas os topos de gamas da Seiko são montados lá.

Seiko 7S26-0020 SKX009J2. Foto: skywatches.com.sg

O número após a designação do país determina a pulseira utilizada no relógio e pode variar de modelo para modelo, mas normalmente o 1 simboliza borracha ou couro e o 2 aço inoxidável. No caso da série SKX o 1 demonstra que o relógio vem com a pulseira de borracha Z22, já o 2 virá com uma pulseira modelo “Jubileu” em aço inoxidável.

Com este artigo nos aproximamos do final do ano, espero ter explicado de maneira simples e alcançado tanto aqueles que desconhecem completamente o assunto, quanto os mais experientes. Qualquer dúvida utilize os campos abaixo.

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8 comentários em “Guia: Como ler referências e códigos dos relógios Seiko

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  1. Olá Ramon,
    Excelente guia… Parabéns!!
    Cara, após ler sobre as letras K, J, etc ao fim dos códigos dos relógios tentei avançar ao máximo o assunto. Cheguei a poucas conclusões (kkk), porém vou compartilhar:
    Assisti videos em canais mexicanos, americanos e blogs europeus com pontos da vistas conflitantes. Uns entendem, como aqui, que essas letras correspondem ao país onde foi fabricado/montado o relógio, outros entendem que as letras se referem ao país a que se destina o produto final. Num blog português, um entusiasta chegou a entrar em contato com a Seiko via SAC para uma posição oficial e a própria empresa foi muito vaga na resposta. Difícil… porém, vendo que no site da Seiko Brasil os relógios (da linha prospex por exemplo) possuem a letra “B” no fim e não foram fabricados no Brasil, tendo como diferencial somente a segunda opção de idioma no “Day” em português (a primeira é em inglês) e já vi também que em vários modelos com “J” o segundo idioma vem em japonês, acredito que o assunto é no mínimo controverso!!..
    Possuo um Turtle Srp789k1 (besel coke) e sei que esse modelo foi voltado para o público asiático, apesar do “K” (não se encontra ele por aqui, bem raro) e tudo fica muito confuso… Enfim, como li em algum lugar, quando compramos um carro ninguém tem essa preocupação, tendo em vista o padrão de qualidade mundial que esses fabricantes possuem (como foi inclusive dito por você no texto) com relógio deveria funcionar igual…O fato é, como dito aqui, independente de origem, a percepção que se tem na pratica é de um padrão único mundial!!
    Abraço!!!

    1. Olá Bruno! Obrigado por compartilhar sua pesquisa, esse tipo de informação é mais do que bem-vinda por aqui.
      Vamos às questões muito bem faladas por você. A afirmação das letras finais simbolizarem simplesmente os países de destino dos relógios fabricados pela Seiko não se sustenta por conta da infinidade de países existentes no globo e o alcance da empresa, só a Ásia tem 50 países, quase o dobro do nosso alfabeto, então a Seiko precisaria juntar letras se quisesse especificar um único país. A letra poderia simbolizar uma região de destino, mas basicamente o K e o P possuem a mesma destinação, geralmente não há qualquer outra diferença entre esses relógios, exceto a origem.

      Os relógios “B” são realmente interessantes e difíceis de serem encontrados fora da América Latina, mas há uma explicação plausível para isso, eles têm sido montados em Manaus. Você comenta que a Seiko não fabrica aqui, mas ela os monta aqui e isso ocorre há algumas décadas, na verdade foi um dos primeiros países e montar Seiko fora do Japão e esse processo acontece na fábrica da Orient (atualmente integrante da Seiko Holdings e responsável oficialmente pela assistência técnica da Seiko por aqui), o que consolida um pouco mais a questão da letra representar o local de montagem dos relógios.

      Quanto ao J a questão fica mais complexa, inclusive estou concluindo um artigo de JDM x MIJ. O J é polêmico, pois até os anos 60 e talvez meados dos anos 70 eles eram realmente fabricados no Japão, contudo, com o encarecimento (e extrema qualificação) da mão de obra local eles foram migrando para outros países (nesse período houve o acordo com o Brasil por conta do incentivo fiscal) e mesmo relógios com inscrições Made in Japan, hoje, geralmente possuem o segundo idioma do calendário em árabe e não japonês. Isso reforça a ideia do J atualmente ser fabricado como destinatário para certa região. Não vejo um MIJ com inglês/japonês há anos, parecem não existir mais. Apenas os JDM estão sendo fabricados para o mercado japonês realmente, porém também não são mais, de fato, feitos no Japão. Aparentemente apenas os Grand Seiko são fabricados lá, coisas da globalização.

      A Seiko não apresenta demasiada preocupação com esses detalhes, ela muda alguma política interna sem qualquer tipo de aviso – como se precisasse de tal rss.

      Quanto ao seu relógio K a percepção é que ele tem um público global (assim como o P), mas foi fabricado em algum desses clássicos países asiáticos com fábrica da Seiko, inclusive sedes locais da Seiko costumam produzir unidades EXCLUSIVAS, como é o caso do cobiçadíssimo Seiko Snow Monster produzido em pequena escala apenas na Tailândia (leia mais aqui), e veja seu código: SKZ331K1.

      A comparação feita por você em relação aos carros é realmente muito boa, no entanto observe que em relação aos relógios se aplica a mesma ideia, todos são bons, um K não é melhor ou pior que um P ou um J. A diferença ocorre quando nós entramos em um outro patamar, na questão do colecionismo, da raridade, dos detalhes, aí sim surgem diferenças, já que a Seiko produz, por exemplo, 1000 unidades de um certo relógio com mostrador limpo nas letras K, P, B, mas apenas 200 na letra J com uma ou duas inscrições a mais no mostrador (Made in Japan – 17 jewels) e no fundo do relógio. Veja que na prática eles funcionarão do mesmo jeito, mas no quesito coleção as peças mais raras (ou menos comuns) são realmente mais desejadas e então entraremos em Adam Smith e sua lei da oferta e demanda.

      Quase que certamente as letras representam o local de fabricação/montagem dos relógios, exceto no caso do J atualmente representar Japão, por conta dessa mudança do custo da mão de obra.

      Espero ter contribuído para sua pesquisa, em breve falarei de outros temas que reforçarão esses posicionamentos como Suwa x Daini e MIJ x JDM. Um forte abraço Bruno, obrigado pela contribuição e sinta-se à vontade para compartilhar mais pesquisas.

  2. Olá Ramon,
    Muito obrigado pelo tempo desprendido conosco. Ganhar conhecimento é algo fascinante e é o que mais tenho feito por aqui. Entendi toda explanação e concordo com praticamente tudo…Seiko é impossível não se apaixonar!!..kk
    Abraço e sempre que puder de alguma forma estarei por aqui contribuindo!!

  3. Curiosamente ando a procurar possíveis erros de Seikos porque comprei um SRPC59J1 que não o número de série. Alguém conhece este erro?

      1. Não tem número de série. É o da esquerda.

      2. Infelizmente o link não exibiu a imagem, se preferir pode enviar a foto em nosso Instagram, ok?

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